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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cerca de 3,6 milhões de domicílios gaúchos devem ser recenseados a partir de hoje

SITE DO JORNAL ZERO HORA

São dois questionários: o básico e outro mais complexo, que será respondido apenas por um número limitado de famílias

Recenseadores do IBGE começam nesta segunda-feira a coleta de informações para o censo 2010 no Rio Grande do Sul. Os agentes do IBGE estarão identificados por colete azul e boné com o logotipo do Instituto e crachá. O chefe do Instituto no Estado, José Renato Braga de Almeida, destacou que são 3,6 milhões de domicílios gaúchos a serem recenseados.

São dois questionários: o básico e outro mais complexo, que será respondido apenas por um número limitado de famílias. Todos são obrigados a atender os pesquisadores do IBGE. Uma lei federal prevê multa de até 10 salários mínimos para quem não responder corretamente às perguntas dos recenseadores ou se negar a fornecer dados. O presidente Lula destacou em seu programa semanal de rádio a importância do censo do IBGE.

Lembrou que ele também estará respondendo às questões do Instituto, hoje à tarde, no Palácio da Alvorada, já que o censo fará uma verdadeira fotografia do país. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, participou do programa e fez um apelo aos brasileiros para que recebam bem os funcionários do IBGE. Bernardo destaca que as informações prestadas são absolutamente confidenciais. O IBGE não trabalha com nomes, apenas com dados estatísticos. Lula pede a brasileiros que participem do Censo 2010 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje que os brasileiros participem do Censo 2010, que já começou a ser contabilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Lula, a pesquisa constitui uma espécie de fotografia do país. — (O Censo checa) se melhorou a questão do saneamento básico, se melhorou a questão da energia elétrica, se melhorou a questão da conquista de produtos dentro da casa das pessoas — explicou em seu programa semanal Café com o Presidente. Durante o programa, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, lembrou que o censo é a única pesquisa promovida em todos os 5.565 municípios brasileiros.

Segundo ele, a ferramenta tem “peso”, uma vez que é usada para nortear políticas públicas por parte do governo federal, governos estaduais e municipais. — Quando vão fazer estudos sobre a realidade brasileira, trabalham com dados do censo. Então, é fundamental ajudar, respondendo corretamente às perguntas que são feitas — disse. O levantamento do Censo 2010 começou ontem e continua até o dia 31 de outubro, em todas as residências do país. As informações são confidenciais e não podem ser divulgadas, a não ser por meio da estatística final.


RÁDIO GAÚCHA E AGÊNCIA BRASIL

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estudo mostra que 69% dos moradores da Capital sentem-se satisfeitas com o futuro

COLUNA BEM ESTAR DO JORNAL ZERO HORA - Porto Alegre

Uma pesquisa realizada com moradores de Porto Alegre revela que 69% dos entrevistados estão satisfeitos com a sua perspectiva de futuro. O Índice de Bem-estar é uma iniciativa da Unimed Porto Alegre e se preocupou em registrar o grau de satisfação geral dos moradores da Capital com a sua vida.

O planejamento do futuro, tão relevante no estudo, é pertinente especialmente para o público jovem que se preocupa com o assunto e está voltado, por exemplo, para a construção de caminhos que os levem à realização profissional e à construção de uma família.

Para a estudante de História, Daniela do Santos Cardoso, 23 anos, a estabilidade econômica é uma das metas para quem, como ela, está na universidade, buscando uma boa colocação no mercado de trabalho. Já para o estudante de Design, Cristiano Santos, também com 23 anos, outros fatores também são relevantes na hora de planejar o futuro. — Me preocupo em ter uma família saudável e também em pode ter ao meu redor pessoas que se sintam bem comigo — destaca.

Para a psicóloga Maria Alice Targa, essas preocupações são os primeiros sinais de que a criança está entrando na adolescência. Segundo ela, é neste momento em que os jovens começam a se diferenciar dos pais e iniciam sua jornada como indivíduos, independentes e com autonomia para pensar o que é melhor para si.

No programa Supersábado, da Rádio Gaúcha, desta semana o conflito com adolescentes será o tema da consultoria do Caminho do Bem-estar. Quem tiver dúvidas sobre o assunto pode enviá-las através do mural do site e elas serão respondidas ao vivo pela psicóloga Gabriela Filipouski, membro do Núcleo de Adolescência da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul.

É difícil entender os jovens de hoje? Você tem problemas de relacionamento com os adolescentes? Tem dificuldades de convívio com seu filho, sobrinhos, enteados e netos? Deixe a sua pergunta e ela poderá ser respondida ao vivo no Supersábado na Rádio Gaúcha.

Pais precisam entender necessidade de afastamento dos adolescentes, afirma psicanalista

terça-feira, 27 de julho de 2010

Inicia o CENSO 2010 em 1º de agosto

Porto Alegre vai ter 1,6 mil recenseadores

A população da Capital gaúcha terá 1,6 mil recenseadores para visitar os 500 mil domicílios que serão pesquisados para o Censo 2010, cuja largada em campo ocorre no dia 1 de agosto. Dirigentes da unidade regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanharam, por meio de telão, videoconferência do presidente da instituição, Eduardo Pereira Nunes. De Brasília, ele falou para todo o Brasil, destacando os principais enfoques do levantamento censitário, cuja conclusão está prevista para 31 de outubro. Os números sobre “quem são os brasileiros e quantos são” deverão ser apresentados em 27 de novembro.

Conforme o chefe da Delegacia Regional no Estado, José Renato de Almeida, entre as mudanças contidas na pesquisa deste ano figura a averiguação de como a família é constituída. Segundo ele, em vez de apenas perguntar se existem filhos adotivos ou enteados, será feito um trabalho mais amiúde, mostrando quem é filho de quem naquele núcleo familiar. “Também vamos verificar se os casais são do mesmo sexo ou não”, assegurou. A ideia, deixou claro, é reproduzir exatamente o tipo de família que foi ouvida. Também o responsável pelo domicílio será enfocado de forma diferente. Em vez de perguntar “quem é o chefe da família ou do domicílio?”, a indagação será: “Quantas pessoas são responsáveis pelo domicílio?”.

Uma das preocupações que o IBGE tem é com a segurança da comunidade que será ouvida, bem como dos 12.558 recenseadores que atuarão no Rio Grande do Sul. Para dar essa garantia, boa parte dos R$ 1,6 bilhão que o Censo 2010 terá foi aplicado em divulgação diversificada. Além da mídia tradicional – rádio, jornal e televisão – estão sendo aplicados recursos em palestras, encontros e cartazes para serem espalhados pelas cidades brasileiras. “Nós, em Porto Alegre e em vários municípios, estamos conversando com síndicos, porteiros, escolas, sem falar nas prefeituras que são nossos clientes naturais, visto que a partir dos resultados obtidos o gestor poderá traçar as suas políticas”, afirmou o coordenador operacional do Censo no Rio Grande do Sul, Vanderlan Souza.

O traje do recenseador – boné com aba amarela, colete azul marinho com bolso transparente (no qual o visitado poderá ver a foto, o número de matrícula e no bolso do outro lado o fone 0800-7218181) – foi concebido para facilitar o reconhecimento do profissional. Na dúvida, o pesquisado pode ligar pedindo confirmação. A maioria dos recenseadores é do sexo feminino, com idade entre 18 a 24 anos. Há ainda uma faixa significativa de pessoas com mais de 60 anos. Esses profissionais estarão portando o seu PDA, pequeno equipamento eletrônico, do tamanho de um controle de TV, que permite o armazenamento das informações que serão, depois, passadas aos postos de coleta – um total de 7 mil em todo o país.

O IBGE abriu a possibilidade de os cidadãos responderem pela Internet, mas ainda assim terão de receber o cadastro do recenseador e ter prazo para responder. A instituição não fará qualquer contato via Internet com os recenseados.

Corrreio do Povo

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Hospital quer ampliar testes de HIV para maridos de gestantes

JORNAL DO COMERCIO

Por mais de um ano, a equipe de infectologia do Hospital Conceição de Porto Alegre levantou informações sobre as gestantes que apresentaram teste negativo de HIV e seus companheiros. O estudo resultou em uma descoberta que surpreendeu os médicos. Pelo menos 2,5% dos homens pesquisados estavam contaminados.

Esse resultado foi possível de ser identificado graças ao Tri Pai, nome que está sendo dado ao teste rápido para o pai, que procura oferecer o serviço preventivo aos homens. A descoberta acende uma luz de alerta para algo simples que vinha sendo esquecido: a inclusão dos homens na relação de exames pré-natais. Esses exames já são oferecidos a gestantes em qualquer posto de saúde.

Em oito casos, entre os 1,6 mil casais avaliados pela equipe coordenada pelos médicos Breno Riegel Santos, Marineide Melo Rocha, Ivana Varella e Ivete Canti, os homens estavam infectados pelo HIV. Todos eles declararam que não sabiam que eram soropositivos.

"Se a mulher contrair o HIV durante a gravidez, ela adquiriu do parceiro e isso ocorreu porque tanto ela quanto o próprio homem não sabiam que ele estava com o vírus. E isso ocorreu porque ele não foi testado. Temos de oferecer o teste para o parceiro também. O pré-natal tem de ser para o casal", afirma Santos, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Conceição.

Segundo os médicos, a informação também auxilia na prevenção. Há três anos, apenas 40% dos abordados aceitavam fazer o teste para diagnosticar o HIV. Hoje, o índice é de 66%, mas a meta é trabalhar para atingir 75%. O exame que detecta o vírus é simples e pode ser feito em menos de 20 minutos. Um pingo de sangue numa fita com reagente já apresenta o resultado.

Outro dado preocupante reforça a necessidade de uma atenção especial para os companheiros: 75% das gestantes entrevistadas revelaram que não utilizam preservativos com os companheiros nas relações sexuais. Um risco principalmente para a criança, que pode ser contaminada durante a gestação e a amamentação. Para a mulher que adquire a doença ao longo da gravidez, a chance de a criança nascer soropositiva é 35% maior do que naquelas mães que já identificam a doença antes de engravidar.

Segundo a equipe responsável pela pesquisa, o estudo foi recebido com surpresa pela comunidade médica durante uma apresentação em um congresso internacional de infectologia, pela simplicidade da constatação, que alerta para uma importante porta de transmissão da doença que não está sendo protegida. "Colegas nos abordavam e diziam: ‘Como é que nunca pensamos nisso antes? Estava na nossa cara e não víamos!' Isso mostra como esse estudo tem uma grande importância epidemiológica para a saúde pública. Temos o maior interesse de que isso seja amplamente divulgado para que as políticas públicas passem a incluir o pré-natal para o casal", afirma a infectologista Marineide.

Santos destaca a dificuldade que o homem tem para fazer o teste preventivo. "Já é difícil o homem se conscientizar em fazer o exame do HIV. Quando toma a decisão, precisa ir a um posto pelo menos cinco vezes, desde a retirada da ficha para a realização do procedimento até o retorno ao médico com o resultado. Já a mulher, no pré-natal, tem esses serviços muito mais facilmente. O casal, recebendo atenção em conjunto, garante a saúde do bebê", enfatiza Santos.

Para o médico, a não disponibilização do teste rápido para os parceiros das gestantes é um absurdo. "Até agora não fomos procurados por ninguém do Ministério da Saúde. Esperamos que, através da impressa, esses dados cheguem aos ouvidos dos gestores. Hoje o ginecologista não pode pedir um teste para o homem. Isto não tem cabimento, principalmente aqui em Porto Alegre, onde temos os maiores índices de contaminação pelo HIV do País. O teste rápido custa R$ 5,00. O custo não é um problema. O problema é a falta de vontade política", ressalta.

A Organização Mundial da Saúde determina que o exame HIV/Aids seja oferecido a todas as mães pelos médicos. Essa política é seguida pelo Ministério da Saúde. O objetivo é incentivar que a prevenção alcance toda a população.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pesquisa liga crack a 72,5% dos moradores de rua de Porto Alegre

COLUNA CRACK NEM PENSAR DO JORNAL ZERO HORA

Drogas pesadas, sexo sem camisinha e assaltos estão incorporados ao dia a dia dos jovens e adolescentes que perambulam pelas ruas das grandes cidades gaúchas. Muito mais até do que se supõe no pior pesadelo.

Pesquisa realizada ao longo de dois anos com 204 jovens que passam a maior parte do tempo nas avenidas de Porto Alegre e 103 nas de Rio Grande mostra que praticamente todos já consumiram bebida alcoólica. Na Capital, 72% provaram crack e 39% fazem uso diário ou quase diário (mais de 20 dias) da droga.

A pesquisa foi coordenada pelo doutor em psicologia Lucas Neiva-Silva, com participação da ONG Centro de Estudos de DST-Aids do Rio Grande do Sul e do Centro de Estudos Psicológicos de Meninos e Meninas em Situação de Rua vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e à Universidade Federal do Rio Grande (Furg). O estudo tem apoio do Ministério da Saúde.

Os dados foram revelados ontem, em palestra de Neiva-Silva em seminário do Fórum Metropolitano de Situação de Rua, integrado por representantes de prefeituras da Grande Porto Alegre. A pesquisa foi baseada em entrevistas feitas com adolescentes de rua entre 20 de dezembro de 2007 e 31 de dezembro de 2009. A média dos entrevistados é de 17 anos em Porto Alegre e 14 anos em Rio Grande. Mais de 80% dos pesquisados são do sexo masculino.

Com drogas, mais assaltos e promiscuidade nas relações
As revelações que surgem do questionário são mais alarmantes que o esperado, admite o coordenador da pesquisa. As piores estão relacionadas ao crack. Dos porto-alegrenses entrevistados e que usaram crack, 58,8% se tornaram usuários diários. Só 29,8% conseguiram interromper o hábito, mesmo que temporariamente.

O uso de drogas agravou a situação de adolescentes que já costumam estar em risco. Dos porto-alegrenses entrevistados, 43,6% admitiram ter assaltado após consumir drogas E 39% tiveram relação sexual sem camisinha. Ainda em Porto Alegre, 27% fizeram sexo por dinheiro – e, desses, 89,1% usaram crack.

Família faz a diferença
Além do crack, há problemas relacionados a outras drogas. Dos moradores de rua entrevistados, admitiram ter experimentado maconha 80,9% dos que circulam por Porto Alegre e 37,9% dos que vivem em Rio Grande. O consumo diário de cigarros foi admitido por 70,6% dos porto-alegrenses. Entre os riograndinos, 94,2% disseram ter consumido álcool.

Chama a atenção que problemas relacionados à droga ou ao descuido nos atos sexuais são muito maiores nos adolescentes pesquisados na Capital do que nos de Rio Grande. Em Porto Alegre, apenas 27,1% moram com a família – embora passem o dia nas ruas – 97,1% dos entrevistados em Rio Grande.

– Convívio com a família faz a diferença. Para melhor – diz Neiva-Silva, coordenador da pesquisa.
"Não dê esmolas, dê camisinhas"

Tapar o olho não adianta, apontam os envolvidos no estudo sobre meninos e meninas em situação de rua. Pregações moralistas, apenas, também não. Então é necessário distribuir preservativos para os adolescentes em risco, já que relações sexuais eles têm igual.

“E, de preferência, com pouca burocracia”, sustenta o estudo. É comum os adolescentes relatarem que não buscam preservativos em centros de saúde porque têm de preencher formulários – grande parte não sabe escrever adequadamente – ou apresentar documentos (que muitos simplesmente não têm). Com relação à população, é sugerida uma campanha com o slogan “Não dê esmola, dê camisinha!”


Por Humberto Trezzi